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O Fim da Exaustão Social: Por que não precisamos "consertar" o Autismo

  • Foto do escritor: Denise Bressan Araujo
    Denise Bressan Araujo
  • 2 de abr.
  • 2 min de leitura

Por: Denise Bressan Araújo Publicado em: 2 de Abril - Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo

 

Se você conversar profundamente com um adulto autista ou com os pais de uma criança no espectro, é muito provável que uma palavra surja repetidas vezes: exaustão.

 

Não é a exaustão física de um dia longo de trabalho. É um cansaço profundo e constante. É o cansaço de passar a vida inteira tentando caber em um molde que não foi feito para você. É o peso de tentar ler entrelinhas invisíveis, de suportar ambientes sensorialmente agressivos e, acima de tudo, de fingir ser quem não se é apenas para ter o direito de pertencer.

 

Hoje, no Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, convido você a uma reflexão urgente sobre como a nossa sociedade tem lidado com o desenvolvimento social de pessoas neurodivergentes.


Historicamente, muitas abordagens clínicas trataram as dificuldades sociais no autismo como um "déficit", um erro de programação que precisava ser corrigido. A lógica era simples (e cruel): se a pessoa não sabe agir como um neurotípico, precisamos treiná-la até que ela consiga.


O resultado disso é o que chamamos de masking (mascaramento social). A pessoa aprende a forçar contato visual, a suprimir seus movimentos regulatórios (stims) e a decorar roteiros de conversação. Ela parece "adaptada" por fora, mas por dentro, o custo emocional é muito grande. A mensagem implícita que ela recebe o tempo todo é: "O seu jeito natural de existir é errado. Você é o problema."


Mas e se mudarmos a lente? E se o autismo não for um defeito nas habilidades sociais, mas sim uma forma singular e legítima de existir e dar sentido ao mundo?

Pense em uma planta que não está florescendo. Você não grita com a planta nem a obriga a abrir suas pétalas. Você investiga o solo, a quantidade de luz, a água. Você ajusta o contexto.


Com as relações humanas, a lógica deveria ser a mesma. A dificuldade de interação de uma pessoa autista muitas vezes não é uma falha interna, mas sim o resultado de um ambiente (físico e social) que não oferece as condições seguras para que ela se engaje.

 

Neste 2 de Abril, minha mensagem como psicóloga é um convite à mudança de paradigma.

 

Precisamos parar de tentar "consertar" pessoas autistas. Precisamos validar as soluções que elas encontraram para sobreviver em um mundo que raramente as compreende. Precisamos oferecer contextos onde elas não precisem usar máscaras.


A verdadeira inclusão não é forçar a neurodivergência a imitar a norma. É expandir a nossa definição de normalidade para que todas as formas singulares de existir tenham espaço para florescer.


  Se você se identificou com este texto ou busca um espaço de desenvolvimento social que respeite a singularidade do seu filho (ou a sua própria), entre em contato. Vamos construir, juntos, um contexto onde o engajamento real seja possível.

 
 
 

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